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HISTORIA DO BODY SURFING

(SURF DE PEITO)

HANDBOARDING E PAEPOBOARDING


Os paepos, nasceram em 1778, depois a evolução das pranchas transformou a prática do surf de peito em diversão nas praias
de todo o mundo
Por: Kleiber Fragoso
Foto: Cory Lum
Publicado em: 01/2005


Além do peso do paepoboard (15 quilos em média) se algum nadador surgisse na linha de frente a chance de um desvio era quase nula. Os estilos de surf em paepos variam de acordo com a criatividade do surfista, como levantar os braços ou as pernas entre outras performances inusitadas. Assim, os adeptos inventaram um novo dispositivo, mais leve e compacto e de fácil manobrabilidade e radicalidade de estilos. Então, nasce a rocket, uma pranchinha de mão de 70cm, feita de madeira com duas pequenas quilhas nas extremidades da parte inferior. Até então atividade tipicamente masculina, o sucesso das rocketsboards atraiu mulheres e lotou as praias da costa leste australiana.


Já na década de 70, uma nova revolução gera um frenesi naqueles balneários .O handsurf, pranchinha de mão, é lançado. Mas a novidade é que a prancha era feita de plástico rijo e duas correias para ser preso a uma das mãos. Pesando menos de 200 gramas e com uma única quilha, a moda tomou novo rumo entre os bodysurfers e paepoboaders. Surge uma nova modalidade: o handboarding. Porém, pranchinhas de mão já eram usadas há muito tempo em todo o no arquipélago havaiano, principalmente entre as crianças que usavam os restos de pranchas quebradas para terem algum tipo de auxílio no mar.
No Brasil - os chamados, hoje, de palmares eram conhecidos como madeirites e tinham tamanhos diversos desde as típicas dimensões do paeposboards como da pequena handsurf. Entre 1940 e 1960, nas praias do Leblon, Arpoador, Copacabana e também nas praias do Guarujá, nadadores apinhavam-se em dias ensolarados de verão "pegando jacaré". Com ou sem prancha, boiar no mar esperando por uma onda era considerado como "jacaré".
Na década de 80, a moda era comprar a prancha de isopor no supermercado Peg&Pag e correr para a praia para pegar um jacaré nas ondas de Copa. Mas infelizmente, com pouco uso as alegrias boiavam em pedaços, elas quebravam facilmente e como não tinha jeito. A maneira era juntar o lado maior e voltar pro mar, mesmo que sobrasse apenas o bico.


Sem saber, reproduzíamos a prática secular da realeza havaiana: o paepoboarding, que é uma prancha feita de madeira com comprimento de 3 a 7 pés e largura que varia de acordo com o peso do nobre. As primeiras pranchas de paepoboardings datam épocas remotas. Foram os primeiros dispositivos flutuantes usados ludicamente no meio líquido. O próprio Capitão James Cook, em 1778 avistou muitos nativos brincando nas ondas com seus paepos.

Em Atos dos Apóstolos (27:37-44), escrito por Paulo (60 aC), há um relato de um naufrágio no qual tiveram que cair no mar e nadar até a ilha mais próxima, então Malta, situada ao sul da Sicília: "O Centurião porém, querendo salvar Paulo (...) ordenou que aqueles que pudessem nadar fossem os primeiros a lançar-se ao mar (...) uns atingiram a terra em tábuas, outros em cima de destroços do navio".


O waterman e campeão olímpico, Duke Kahanamoku, além de nadar no mar, surfar e surfar de peito, também caía com seu paepoboarding, reproduzindo a tradição havaiana dos antigos anciões. O embaixador do surfe levou até a Austrália as diversas modalidades do surfe, o que balançou os Surf Life Saving Clubs locais. Porém, em 1890, Tommy Tana, um nativo da ilha de Vanuatu, foi um dos primeiros a demonstrar as suas habilidades sobre o poder das ondas, surfando de peito em Manly Beach. Seu estilo foi copiado e estudado por diversos nadadores, entre eles Eric Moore, Arthur Lowe e Freddie Williams, este último se tornou um grande mestre neste esporte.


Em 1973, Tom Morey iniciou outra revolução entre os banhistas, lançou o morey boogie, cujo modelo era a 139 Rainbow bastante flexível que até dobrava, mas não quebrava! Porém, só na década de 80 as morey boogies pousaram de vez nos litorais brazucas. Uma nova febre mexeu com os bodysurfers, aquela pranchinha fazia manobras mais rápidas e ainda era possível boiar um pouco para descansar depois de um caldo forte. Em 1982, acontece a primeira versão do Bodyboarding Pipeline Master. Os corpulentos havaianos também têm hoje uma variação, chamada bellyboard (belly = barriga), um pouco mais larga, densa e com alças para pesos acima dos 120 quilos.
Em 1988, uma associação carioca de surfe de peito, realizou o primeiro registro da modalidade num órgão desportivo do governo, antes que o próprio surfe. O Surfe de Peito como um esporte é definido como a prática de nado no mar com ondas sem o auxílio de dispositivos flutuantes. Por algum tempo os demais adeptos foram renegados. Foi aí que ressurgiram os defensores do surfe de palmar, handboarding ou mesmo uma corruptela da pranchinha australiana - o handsurf, como denominam hoje os alagoanos.
Aloha e boas ondas!


Kleiber Fragoso é fundador do site da comunidade brasileira dos surfistas de peito (www.surfedepeito.com.br) e diretor de Comunicação social da Associação Brasileira de Bodysurfers - ABBS.
Mais informção sobre Handboarding e Paepo boarding:
www.redwingsmemorial.com

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